quinta-feira, agosto 20

Andar por aí


Falar de viagens é um dos meus grandes entretenimentos.

Os nossos leitores certamente já andaram por aí e cada um deles tem experiências interessantes para contar.

Essa curiosidade de conhecer lugares dá energia e prazer e acho até que nos estimula a ampliar os horizontes. (isto se você tiver "olhos de ver", como dizem os portugueses).

Sempre me atraíram destinos pouco conhecidos. Comecei ainda na adolescência, no Brasil, e pela região Rio Platense, favorecido pelo preço, proximidade e pelo idioma.

No passado, é bom lembrar, se ouviam muito as rádios argentinas e uruguaias. Tanto que, ao passar a fronteira, se entendia quase tudo. Com algum esforço até se falava.

Assim, ainda jovem, conheci do calor extremo do norte Amazônico e o gelado sul do país.Depois, aos poucos, as coisas mudaram.

Hoje, gosto de viagens mais confortáveis, mas me atraem mesmo as de “aventura”.

Estar num lugar elegante, numa grande metrópole é tão bacana como andar por Timbuctu ou no Tibet. Viajante gosta mesmo é de ver o que se passa nas ruas.

Quanto a hotéis, prefiro ficar com os que tem a cara da cidade, do país, do que me hospedar em hotéis de rede, com decoração universal.

Já com a comida, não sou regionalista. Vou a todos os restaurantes, mas tomo cuidado. Seleciono o quanto posso o tipo de comida. Grelhados, massas, ok. Evito pratos com molho para a viagem não acabar antes do tempo.

Além disso, um bom guia é essencial. Gosto do “Lonely Planet”, escrito por australianos que amam viajar. Tem dicas ótimas. Para grandes cidades, há um mais descolado e mais urbano: “Time Out”, de qualquer lugar.

Outro ponto importante para tudo dar certo é a escolha dos companheiros. Você só vai conhecer a verdadeira personalidade de alguém quando tiver que dividir tempo, espaço, humor e dinheiro fora de casa. Já vi muitos amigos brigando para sempre depois de uma viagem. É sempre bom ser iniciado em viagens por amigos que gostam de viajar. Mas não tive essa sorte.

Os jovens brasileiros do passado não viajavam. O litoral no verão era o limite, esquecendo que, atrás daquelas ondas, estava a fascinante África.

A fábrica de automóveis em que trabalhei, me levou para a Europa pela primeira vez. A partir daí, continuei a querer conhecer o mundo todo. É bom que se diga, lá por 1960, uma viagem custava o preço de um automóvel. È isto mesmo, não se surpreenda. Uma viagem à Europa custava o preço de um Fusca, porque a Varig nos cobrava o que queria. De lá pra cá, o preço era 40% menor, mas as companhias estrangeiras não podiam vender.

Portanto, se você naquela época, não foi ou queria e não podia, a culpa não é só sua, mas do monopólio também.

Sempre achei viajar essencial para a minha saúde mental. Ir para um lugar longe e desligar. Numa viagem curta, é impossível.

Falta de preconceito também é fundamental para um viajante. De New York ao Marrocos, do Peru ao Japão, de Las Vegas ao Egito, da Sicília à Islândia. Ir ao Iêmen porque viu uma cena legal num filme do Passolini, chegar ao Everest porque é a maior montanha do mundo, ir ao México ver a Semana Santa ou Finados.

A curiosidade faz a gente sonhar e se surpreender sempre. Com ela, criamos um mundo vivo, alegre, colorido e vibrante.

Nosso mundo é a gente que faz!

Fale conosco: delmese@terra.com.br

2 comentários:

Ana Maria Fraga disse...

Adorei ter você na Net. Parabéns!

Nata disse...

Eu sigo vocês! E, ainda, por estímulo(ou seja, de inveja) estou criando o meu próprio :)
Beijo grande!