Hoje pela manhã ao ler os jornais me surpreendi com a participação de um ano de falecimento.
Para mim e para seus amigos, o Xico ainda é uma figura presente. Continuamos a conviver com a sua arte em bronze, argila, mármore e seus guerreiros em ferro e madeira, incomparáveis, inimitáveis que até se confundem com o seu bio tipo.
Além de museus, galerias de arte, colecionadores, as nossas casas, as casas de seus amigos, todas tem a sua marca em gravuras, tapeçarias múltiplos, desenhos, a maior parte doadas por ele, presentes de aniversários, lembranças, etc...
Portanto, o que nos faz falta é ele, a sua figura humana, o cozinheiro autodidata, o companheiro de bar, o parceiro de viagem e o surdo mais bem informado do hemisfério sul.
Foi-se aos 90 anos, mas foi muito cedo. Acho que o pessoal lá de cima tinha uma certa inveja de nós que com ele convivíamos e resolveram fazer uma chamada extra.
No velório, a boa, a ótima foto do Achutti, seu amigo também, nos lembrava o tempo todo a sua figura e a sua cumplicidade marota.
Faz hoje um ano que saímos do crematório, desolados, ficamos conversando no estacionamento, até que alguém , compreendendo o nosso impasse, disse: Vamos continuar as homenagens no Prinz, o bar que ele tanto gostava.
Na volta para casa, felizmente não havia nenhuma " blitz", nenhum bafômetro. Tenho certeza que das homenagens de despedida foi a que ele mais gostou.
segunda-feira, abril 12
Stockinger: um ano depois
sexta-feira, abril 9
Perdão para todos
Está por acontecer ou acontecendo o Festival de Kumbha Mela na Índia.
Acontece de 7 em 7 anos e mais de 60 milhões de peregrinos devem se banhar na confluência de dois rios, um deles é o Ganges e o outro é Yamuna. A duração depende da lua e segue até 28 de abril, quando termina a cerimônia.
Segundo a lenda, gotas de imortalidade teriam sido derramadas durante uma batalha entre deuses e demônios naquela área e por isto quem se banha no rio neste período, crêem os hindus, tem a absolvição de todos os pecados e merece. Quem se banha numa água daquelas deveria ter a absolvição até dos pecados futuros.
Para terem uma idéia, num determinado momento da superposição ou do encontro dos astros, um sinal é dado para que os gurus se dirijam em direção das águas e eles o fazem com respeito. Só que no último Kumbha Mela os sadus eram um milhão e seiscentos, mais ou menos todos os porto alegrenses, incluindo você.
quinta-feira, abril 8
Cercados por grades e alarmes
Vamos completar cinco meses e nunca antes na história do Viajando por Viajar recebemos tanto retorno como com o assunto sobre a pena de morte.
A grande maioria dizendo que deveríamos copiar a China e alguns quem sabe sem argumentos, apelando para a religião e até me repreendendo, dizendo que não devia ser publicado etc..
São provavelmente alguns que não vivem em prisão domiciliar como os comuns mortais.
Estes que eu saiba vivem cercados com guaritas na rua, alarmes, porteiros, cercas elétricas e alguns até com câmaras de vigilância.
Entre tantas opiniões, li uma transcrita do Jornal The Guardian que diz:
Quando a França aboliu a pena capital, em 1981, as guilhotinas saíram de cena.
Por ironia, uma delas foi colocada a pedido de ativistas no Museu d'Orsay, em Paris, ao lado da frase de Vitor Hugo: "É possível ser indiferentes à pena de morte enquanto não se viu uma guilhotina com os próprios olhos.
Estive no museu mais de uma vez e embevecido com o prédio em si e com o que mostram do acervo não vi a guilhotina, mas acho que o Vitor Hugo mudaria de opinião de vivesse no Brasil hoje.
Responda: Você lembra de alguma noite em que os noticiários de TV não mostram marginais armados desfilando pelos morros ou ruas, túneis e avenidas?
Por isso repito, até o grande Vitor Hugo mudaria de opinião.
terça-feira, abril 6
Dia dos bobos aqui e lá
O 1º de abril no Hemisfério Norte tem mais ou menos a mesma interpretação que aqui.
As brincadeiras é que são diferentes.
Por exemplo, um jornal inglês o Daily Mirror fez um comentário sobre o empobrecimento da família real e publicou uma foto, evidentemente forjada, da Rainha Elizabeth II entrando em um avião da Easy Jet, a mais conhecida empresa de low fare, ou seja, de baixo custo.
Os preços são realmente baixíssimos, mas eles têm outras formas de se ressarcirem. Uma delas, por exemplo, é que se você chegar atrasado, " dança". Só voa comprando outra passagem e assim por diante.
Outro exemplo?
Se você pagar com cartão, e quem não paga? 5 libras ( 12 reais) serão acrescidos a sua conta.
Comida de bordo é outro item que significa lucro para as companhias de baixo custo.Quase todas desenvolveram menu de refeições, petisco e lanches especiais. Tudo cobrado à parte.
Tem mais. A Ryanair está tentando readequar suas aeronaves e cobrar pelo uso do banheiro. Com isso, cada avião deve ficar com só um sanitário, que funcionará com o depósito de uma moeda, o que abrirá espaço para mais seis poltronas.
Mala extra, nem se fala, se você voar com mais de uma mala de mão, é quase certo que vai ter que colocar a mão na carteira.
Dá trabalho, é verdade. Mas pesquisar um a um dos sites das empresas de baixo custo ainda é o método mais confiável para achar vôos mais em conta.
sábado, abril 3
Os ovos de Fabergé
Mesmo chocólatra assumido nunca entendi bem esta associação entre coelhos que põe ovos e de chocolate com um acontecimento que tem 2000 anos.
O chocolate só tem 500 anos pois foi encontrado em estado bruto pelos espanhóis.
Seja como for o formato de ovos é sempre o mesmo, mas alguns são famosos e levam os colecionadores a loucura.
Só para se ter uma idéia do que estamos falando, no último leilão, os ovos do Fabergé foram vendidos por 90 milhões de dólares.
Bem, vamos com calma. Os ovos não eram os do Fabergé, até porque eram três, mas feitos pela joalheria que levava e ainda leva seu nome.
Nascido na Rússia, filho de franceses, confeccionou os primeiros ovos a pedido de Alexandre III, o Kzar em pessoa, para presente de Páscoa para a sua mulher lá por 1880.
Seu filho Nikolas continuou a tradição(e não queriam que a revolução viesse?)
Com a Revolução de 1917 os ovos começaram a aparecer nos mercados de arte ocidentais, contrabandeados pelos novos donos do poder...
Agora, como o novo proprietário é russo, pode-se dizer que os ovos estão voltando para casa.
Tive sorte de ver nove deles numa exposição em Estocolmo há uns cinco anos atrás. Em que pese à perfeição me decepcionei, achei até um pouco kitsch.
Quem sabe por que eu imaginava que eles tivessem o tamanho da sua fama, e os maiores tem apenas um palmo de altura?
Quem sabe por que eu os analisava como um Kinder ovo de milionário?
Ou porque eu nunca me interessei por ovos de ninguém, nem mesmo do Fabergé.
Na realidade o erro foi meu em ter ido visitar algo pela sua fama ... e não pelo meu interesse.
A maior parte dos ovos exibidos na ocasião pertenceram a Czarina Alexandra uma das mais entusiasmadas colecionadoras.
No interior dos ovos há reproduções do casal, dos filhos, outro traz a réplica da carruagem no dia da coroação e assim por diante. A confecção de cada um teve aproximadamente 7.000 horas de trabalho.
Para minha surpresa encontrei na autobiografia de Nabokov o autor de Lolita que ele e a maioria dos intelectuais de San Petesburgo achavam os ovos ridículos feitos para seduzir o povo ignorante dos fundamentos da arte.
Minha auto estima foi absolutamente incensada.
Mas a verdade é que os ovos criados por Peter Karl Fabergé como presentes de Páscoa encantaram nobres e plebeus.
Mas o tempo foi passando e as mulheres que se engalfinhavam para ter algo com a grife Fabergé em poucos anos foram obrigados a vendê-los por uma pequena parte do seu valor e com isto financiarem sua fuga para a liberdade. Muitos se perderam, outros se quebraram e segundo se diz agregaram na sua fama a tragédia do assassinato da família Romanoff, onze anos após o fim da revolução.
Boa Páscoa!
