O texto sobre o meu city tour em Porto Alegre foi escrito sem que eu pensasse escrever uma continuação.
Agora, voltando de Santa Catarina, fico ainda mais chocado com a sujeira que descrevi no texto anterior, e me constrange falar sobre Floripa.
Não do que sempre falamos como praias, pamonhas, caipirinhas, água clara, quente, mas do comportamento de seus cidadãos, que pejorativamente chamamos, os Catarina, os Mané, até de Ilhéus ( quem em português de Portugal é uma palavra pesada, entenda-se, caipira)
Pois bem, chame-os como quiserem, mas a cidade deles está limpa. O lixo está no lixo e não ao redor das cestas coletoras, a grama aparada etc...e uma frase está presente em muitas esquinas: Quem dá esmola não dá futuro.
Me perdoem os aprendizes do Cirque de Soleil que temos em cada esquina e que repetem todos os mesmo show.
Por que estão lá?
Porque alguns, querendo diminuir a sua culpa os estimulam.
Por que as escadas de igrejas estão cheias de pedintes? Eles sabem que a proximidade com Deus faz os crentes abrirem a carteira com mais facilidade.
Por que não doar a instituições responsáveis?
Dizer que a culpa é do prefeito? Não, a culpa é nossa.
Sempre foi assim e quem culpa o poder é quem está na oposição, é atitude política.
Quanto a Floripa, quem sabe eles precisem do turismo mais do que nós, é bem provável, e por isso nós que não dependemos dele, podemos sujar a cidade?
Lamentavelmente o casal de ingleses que ciceroneei por aqui não viu Santa Catarina. Foram embora antes, pelo menos eu poderia argumentar que no Brasil há gente, e cidades de todos os tipos.
Em tempo: O casal mora em frente ao Rio Tamisa, que já foi uma cloaca e hoje até salmões são pescados ali, O 1º capturado, aliás, ainda vive num aquário. É exemplo para todos, portanto, é possível.
Só depende de nós.
segunda-feira, março 8
Cidades
sexta-feira, março 5
Oi! Skindun...skindun...
O carnaval sempre passou ao largo da minha vida.
Nascido na serra é claro que não sei sambar.
Devo ser ruim da cabeça (provavelmente) ou doente do pé (com certeza), como já atestava o samba.
Gringo sambando, parece urso amestrado. Só que urso não coloca os dois indicadores para cima.
Assisti várias vezes o espetáculo ao vivo no Rio de Janeiro, antes do atual Sambódromo.
Era meio bagunçado mas espetacular, só que na manhã seguinte, depois de destilar as caipirinhas e tomar um chuveiro, tudo se esvaía.
Para quem é do ramo, a classificação, o samba enredo e as reminiscências, são temas de conversas para o ano inteiro.
Até lamento em não gostar. Invejo como se divertem.
Ontem li no jornal que 6ª feira começa o Carnaval de Uruguaiana e que vai um monte de gente para lá.
Primeiro, achei que o jornal era velho, mas não.
É que os uruguaianenses tiveram a boa idéia de estabelecer uma data própria e com isso fogem da concorrência co Rio, São Paulo, Bahia e até Porto Alegre.
Estão sozinhos na TV, e isso favorece o espetáculo, pois vem gente famosa, sambistas espetaculares, fantasias gloriosas e até jurados, pois estão disponíveis.
Facilita e melhora tudo para o turismo, hotelaria, restaurantes etc...
Aliás, cada cidade deveria escolher a data, conforme a sua conveniência, e integrá-la na programação dos seus festejos.
Pergunto: Por que uma festa absolutamente pagã, deve ter a sua data vinculada a um calendário religioso?
PS: Foto de Anderson Petroceli, ZH
quinta-feira, março 4
Com o tempo.....
Recentemente fiz aniversário, e uns amigos franceses e gozadores me mandaram o cartão ao lado.
Ora! Um cartão convencional, em plena época digital, foi uma festa. Saí com ele e mostrei a meus amigos num almoço.
Todos gozaram com o gracioso Sharpei, simpático e cheio de pregas.
Quando cheguei em casa, coloquei o cartão em um aparador com espelho, lugar onde ficam as chaves do carro, controles de portão etc...
Automaticamente me olhei no espelho... e achei que eles tem ( ou tinham) razão.
terça-feira, março 2
Morte em Havana
Sou um blogueiro analógico e também por isto algumas postagens saem com atraso.
No caso mais recente, um homem morre de inanição na cadeia em pleno século XXI, e se dá pouca importância.
Um homem preso por idéias, preso por pensar de forma diferente.
Ao contrário do italiano Battisti, Orlando Zapata não cometeu crime algum, não participou de roubo, seqüestro ou motim.
Não houve sangue. Foram suas idéias, diferentes das de seus algozes que o tornaram culpado a uma pena de 56 anos de prisão, (depois reduzidos a 25).
Portanto, acho que o dia 25 p.p, não é um dia de luto para a família Zapata, mas para toda a humanidade.
Sabemos que pessoas eram jogadas e esquecidas em masmorras na Idade Média.
Hoje, em 2010, isto é inacreditável, com um detalhe: essa morte não ocorreu no ardor revolucionário, quando com freqüência são cometidos desatinos.
Isto acontece 51 anos após a tomada do poder, após o sacrifício de duas gerações, e até hoje, a ilha não consegue prover o seu sustento.
Importa 80% do que consome, e a culpa é dos outros... dos EUA, claro.
Seria bom dizer a eles que os italianos e alemães chegaram aqui só com enxadas.
Não me lembro de outro exemplo de tamanha incompetência produtiva e os chefes fanfarrões da América Latina, ainda vão lá pedir a benção.
Jamais algum dos que freqüentam a Ilha, comentou sobre direitos humanos.
O que disseram as autoridades? Disseram que o morto havia causado problemas... e provavelmente para que não houvessem mais problemas...
Antes do enterro prenderam mais 100 pessoas.
Quem carregou o caixão foram policiais.
A família assistiu de longe.
segunda-feira, março 1
Idéias alheias
Recebo da minha amiga e leitora essa carta aberta ao jornalista Flavio Tavares e a publico na íntegra.
Caro jornalista Flavio Tavares,
Acho que falando com o jornalista e não com o ex amigo tenho mais liberdade de contestar.
Não sei o que frequentas mais atualmente sBúzios ou Porto Alegre, mas faço te uma pergunta:
quando foi que ultimamente nas ultimas decadas tens tido a alegria de ver o cais do porto?
Será que o muro que o cerca te lembra alguma coisa e queres que fiquemos eternamente com o cais escondido atras do muro??? Acho que há comparações melhores para nosso cais que Saigon...
Só nas questões energéticas que o governo Lula é inconsciente?
Sugiro que no próximo artigo analises a morte por greve de fome de teu companheiro cubano, ou será que esqueceste o que é ser preso por razões políticas? Aqui havia quem pedisse a tua liberdade, e em Cuba quem pede a liberdade dos presos plíticos? E o teu ídolo Lula vai lá e como comentário só tem a "lamentar"?
Caro jornalista, não esqueça teu passado, há causas mais urgentes a defender que o cais do porto de Porto Alegre e os indios. Será que já pensaste no quantidade de velhos deste pais que depois de trabalhr uma vida inteira tem uma aposentadoria miserável? Já pensaste em te engajar numa uma campanha anti violencia?
Queres atingir a quem, ao Fogaça e prestigiar o Tarsso? Ser amigo do Lula?
Flavio não te reconheço ultimamente. Lamento te escrever isso mas como não sou uma voz solitária, há muitos compartilhando minha posição, me atrevo a te enviar este recado.
Um abraço Eva Maria Boeger
