segunda-feira, novembro 16

Viajar 2ª parte


Falamos principalmente em viagem, como se todos os leitores fossem turistas, mas viajar é uma coisa fascinante, irresistível.
Nesse momento deve haver milhares, quem sabe, milhões de barcos andando, de um lado para o outro, transportando contêineres, minérios, pessoas, mísseis.
Em todos os mares e oceanos, alguns veleiros com razoável chance de seqüestros, passam próximos a Seychelles, Ilhas Mauricio e Reunion.
Lugares paradisíacos.

Nunca entendi porque os cargueiros que andam por lá, não tem uma escolta embarcada ou alguns atiradores, que nem precisam ser de elite. Piratas, no caso, são alvos fáceis.
Aliás, os piratas sabem disto, tanto que não atacam barcos russos, pois, sabem o que é bom pra tosse, lembram o que aconteceu no teatro da Chechênia.

Viajar sempre foi importante, em todos os aspectos e não fossem as viagens o mundo seria outro.
Darwing precisou ir até Galápagos, para nos dizer que a história de Adão e Eva é pura fantasia. Como diz o samba, "Maçã igual aquela, o papai também queria."

Se não fossem as viagens, o que seriam das comidas inglesas? Já não são boas, sem os temperos indianos, seriam ainda piores.
O que seria do mundo sem as árvores que os mesmos ingleses espalharam pelo mundo? Da fruta pão ao eucalipto, e dos coqueiros a magnólia?
Mas hoje, todo indivíduo quer usufruir as benesses dos sistemas que deram certo.
Eu vivia em Londres quando jovens grávidas lotavam os aviões de Portugal, Espanha e Itália, para abortarem lá, (por conta do estado). Em seus países era proibido e acho que ainda é.

Portanto como já cansei de repetir, sou a favor dos vistos que restringem viajantes, sejam eles quem forem. Sei que os países não são propriedade exclusiva de quem nasceu ali.
Mas a meu ver, quem vive ali, tem direito a estabelecer a lei. Os que vivem ali, trabalham, pagam seus impostos e podem selecionar quem lhes interessam ou não.

Não, não é simpático, sei bem. Já fui barrado em Taiwan, pois eu tinha no passaporte o visto da China Continental. Na Albânia, provavelmente sabiam do meu passado na indústria de automóveis e não queriam que eu visse os últimos modelos de carroças.

Li há alguns dias que 82% dos moradores não queriam que Chicago fosse sede das Olimpíadas em 2016. Devem os administradores contrariá-los? Ou vocês acham que os italianos, espanhóis, franceses, gostam de ver as ruas de seus países cheios de ambulantes ilegais, e suas centenárias calçadas cheias de toalhas com quinquilharias?

Segundo outros é caminhando pelas ruas, que qualquer cidadão pode verificar a interminável variedade étnica que existe, e isto enriquece as cidades.
Pessoalmente discordo. Se quiser conhecê-los, vá até aonde vivem. Cada um é importante no seu contexto.

Há décadas que ando pelo mundo. Sou testemunha de países que tiveram de acolher imigrantes oriundos das colônias que ocuparam.
Outros tem a tradição de acolher exilados, como Escandinávia, França, Alemanha, México e o Brasil às vezes. Até 4 assassinatos parece não haver problema, mas vamos ver em breve.

quinta-feira, novembro 12

Viva Johannes Gutenberg!

Longa, longa vida aos livros !
Li com tristeza o artigo do Charles Kiefer.
Os dados são incontestáveis, e ele conhece o assunto.
Atente aos números, diz ele também. São silenciosos, frios e irrefutáveis. Diz também que vai acabar fazendo uma tele entrega de pipocas.
Pessoalmente, não serei seu cliente. Quero que ele continue nos entregando textos, idéias, sonhos, como se espera de um escritor.
Mas para isso, temos que ler mais, comprar mais e as escolas insistirem mais em leitura.
Às vezes falo em alguma palestra, e me surpreendo com gente que nunca leu, e quando leram não sabem o título, ou quando o sabem, não lembram o autor.
Convenhamos, não posso criticá-los se o nosso Iluminado se jacta de não ler os jornais e na televisão procurar os programas mais idiotas. (palavras deles)
Mesmo assim, desejo vida longa ao livro. Não vou me converter em leitor de telinhas. Nunca pensei em ir dormir e ao lado da cama ter um e-book, ou tomar um café da manhã com um * lapitopi* na mão.
Gosto do livro, do contato e até da posse.
Sei que não se pode misturar desejos com estatísticas objetivas como a do Sr. Kiefer, mas por enquanto ainda podemos sonhar.

terça-feira, novembro 10

Viajar 1ª parte


Carregar malas, esperar em rodoviárias, estações de trem ou aeroportos é apenas o inicio de um longo caminho que enfrentaremos pelo resto da vida.
Não há dificuldades que nos faça parar, a mim, e a todos que já começaram.
Passa a ser o nosso carma, a nossa sina. Falo por mim.
Já tenho planos para a próxima década. Quando os anos pesarem, continuarei, mas em vez de levar minhas câmaras a mambembear, irei a uma só cidade, um apart hotel, " bien placê" e próximo a uma cardio clinica. Não quero fugir da realidade, mas reafirmo que encaro a vida por largura e não por comprimento.

Viajar é e sempre será um prazer. Muda a arquitetura, mudam os templos, mudam os sabores as lojas e os trajes.
Tudo isso atrai. Até mesmo Portugal que contraria tudo o que estou dizendo, é um bom destino. Lá o idioma é semelhante, a arquitetura é semelhante, a comida é semelhante e paga-se em euros. Mau negócio, mas o que fazer?
É ir ou não ir.

Em outros lugares o idioma que se fala nem sempre é compreendido.
O alfabeto que se utiliza numa margem do rio não é sempre o mesmo do lado oposto.
Até o tempo é outro: o calendário que orienta a vida do povoado que estamos frequentemente difere do que é utilizado pela aldeia próxima.
As vezes nem o Natal existe. O início do ano tem outra data e até o ano tem outra conta.
No Nepal, por exemplo, os jornais vem com duas datas, com centena de anos de diferença, mas bem humorados comemoram os feriados em ambos.

Viajar nos faz ver ao mesmo tempo os fascínios do mundo. Em um hemisfério, jardim com flores, no outro os galhos já estão secos e os nossos passos ficam marcados na neve.

É o prazer e o mistério de viajar: nossas próprias convicções apresentadas às dos outros e com elas confrontadas.
A oportunidade de aprender e de ensinar. Sobretudo a chance de divertir-se com gente diferente.


sexta-feira, novembro 6

Nós ao redor do mundo


Se lêssemos um pouco sobre o país a ser visitado, evitaríamos boa parte dos constrangimentos a que nos expomos.
Sabemos disso, mas não o fazemos. Na última hora, é tanta coisa que vamos assim mesmo, mas também nada ocorre de tão grave que nos torne passiveis de deportação, nem algo que estrague o passeio ou tire as surpresas e novidades.

Sabe aquele que fala sem perceber e age de maneira estranha? Bem, aos olhos dos nativos, aquele pode ser você.
Isso porque, algumas atitudes normais no Brasil são consideradas invasivas e desrespeitosas em outros lugares. Uma delas é o comprimento com beijinhos e tapinhas nas costas.

Se estivermos na Itália, podemos tomar um susto, quando os homens trocam beijos junto com o trivial cumprimento, e não são apenas os mafiosos em reconhecimento ao capo.

Também vale pesquisar quais atitudes do dia a dia podem ser consideradas grosseiras no seu destino.
No Japão, por exemplo, falar alto e dar gargalhada pega mal e não se espirra ou assoa o nariz na rua. Bem, aqui também..
Na Alemanha, não é adequado cumprimentar alguém com uma das mãos no bolso.

Falando em mão, pegue sempre a comida com a direita, se estiver em locais como a Índia, Marrocos, Arábia Saudita. Isso porque é cultural por lá usar a esquerda apenas para fazer a higiene íntima.

Não é necessário aprender a língua em todos os lugares que você visitar, mas saber dizer alguma coisa é sempre mais simpático- nem que seja só "bom dia", e "boa noite".
Se for à França, capriche um pouco mais. Todos nós temos a obrigação de conhecer algumas palavras francesas, por estarem integradas aos bons modos do Ocidente.
Assim, alí use com mais ênfase: o com licença, o por favor, e o muito obrigado.

Além de saudações, pode ser uma boa idéia aprender alguns palavrões locais.
Por exemplo, como dirigir na Itália sem saber a palavra:" cornuto" ou levantar os dois dedos que significam a mesma coisa mas sem som...
Como já falavam os antigos, " Em Roma, faça como os romanos".

Se alugar um carro na Alemanha e entrar Itália a dentro, é quase certo que em algum entroncamento, você vá ouvir " Tedesco cornuto". Eles não resistem a uma placa alemã, mas se você fala italiano e tiver um estoque de ofensas prontas no bolso do colete, quem vai se divertir é você com a surpresa deles.

Já nos países anglo saxões, o sinal latino acima, não quer dizer nada, portanto em caso de necessidade extrema, levante o dedo maior da mão estendida. É o máximo que você pode fazer, os anglo saxões são paupérrimos em ofensas.

É de bom tom, ver como os outros se comportam antes de se expor. A pessoa que comete gafes geralmente está fora do contexto, um contexto que nem sempre entendemos e aí chamamos os ditos países de exóticos.
Portanto leitor, lembre : não existem países exóticos, exóticos somos nós, no país dos outros.

terça-feira, novembro 3

A cidade rosa


Petra está toda a noite nas nossas casas.
Esqueça texto e falas que são iguais as da novela passada, e mesmo sem turbante me atrevo a prever que será igual a próxima.
Fiquei ali alguns dias e posso lhe dizer que é um pouco difícil entender o conjunto, pelo que tem sido mostrado na telinha, mas convenhamos que não é a proposição da emissora.

Imagine o desfiladeiro. A parte alta é que foi esculpida e escavada pelos Nabateus. No trajeto tem pouca coisa, só algumas tumbas sem expressão e no fim é que tem um grande espaço onde estão as ruínas, feitas pelos romanos. Por que os romanos?
Qual o interesse dos romanos? Bem, ali era um entroncamento, portanto, uma forma de controlar e pedagear as caravanas.

Petra é um deslumbre em pedra.
Muito mistério ainda ronda a Cidade Perdida. Sabe-se que a região é habitada desde a pré- história e que os Nabateus, povo árabe nômade, chegaram no século 3º a.C. atraídos pela localização estratégica.

Foram eles que talharam toda a cidade nas encostas das falésias.
O Tesouro, a maior fachada, teria sido um dos templos mais importantes e, hoje, é a imagem mais divulgada da Jordânia, cenário até de filmes do Indiana Jones.

Com as novas rotas marítimas, Petra entrou em decadência, e ficou esquecida até 1812, quando o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt, disfarçado de muçulmano, a redescobriu.

Hoje, para conhecer o sítio arqueológico, os turistas ficam hospedados em Wadi Musa, cidadezinha bem próxima do início do desfiladeiro.
Se você tiver a chance de ser apresentada a essa maravilha do mundo prefira o entardecer.
A primeira parte é adequadamente iluminada.
A curiosidade em desvendar Petra só aumentará até o dia seguinte, quando com a luz do sol, você ficará extasiado. E por mais fotos, e filmes que tenha visto nada se depara a esse lugar. Nada a ver com outras ruínas. É completamente diferente.

Petra é muito mais do que a fama que ostenta.
Só a trilha pelo desfiladeiro tem 2 km com altura média de 60 m e largura de 2 a 4 metros. O ângulo do sol faz brilhar os diferentes tons de rosa, e valorizar partes aparentemente sem graça a outra hora.

O impacto da chegada ao Tesouro, como é chamada aquela popular fachada esculpida, é enorme.
Quando a fenda se abre no desfiladeiro, surge uma coluna aqui, uma janela ali, outro detalhe acolá. Mais alguns passos, e o templo aparece por completo, imponente. Na fachada, perfeitamente talhada, há símbolos e imagens desconhecidas.

Os horizontes só se ampliam numa grande clareira quando se chega lá em baixo. A beleza natural e as dimensões arquitetônicas impressionam.
Há centenas de túmulos e templos desconhecidos, mas bem preservados, assim como cavernas, com gente habitando no paredão, mas com portas , janelas, vidros, cortinas e fechaduras.

Como de hábito, na época de domínio romano foi feita uma cidade e esta é diferente das outras, devido à situação de escarpas altas e pouco ou nenhum terreno plano, o que lhe dá uma característica única.

O teatro romano, talhado no sopé de uma montanha comportava 3 mil pessoas. Outro destaque são os túmulos reais.

Do alto de uma montanha, com vista para todo vale, está o impressionante Mosteiro, tão belo quanto o Tesouro, mas menor.
A subida é cansativa, mas reveladora. Por toda trilha, o caminhante verá moradores da região, crianças aquecidas por fogueiras dentro de tendas, bem como mulheres muçulmanas fazendo bijuterias e os homens lá fora vendendo, mascateando.

Outra experiência autêntica marca o fim da visita. Lá em baixo, no rústico bar, em uma meia gruta, o visitante tem a chance de sentar em tapetes e provar o chá quente e doce, muito doce, dos beduínos, servido por uma neozelandesa loira e de olhos azuis que casou-se com um deles. Quando se conheceram, ela só falava inglês e ele árabe. Pelo jeito deu certo, hoje eles tem cinco filhos.

Como se vê, não há limites para o amor!