quarta-feira, outubro 14

Chegou Outubro: Viva a cerveja!


Santa Catarina e todo o sul para falar a verdade, já iniciaram sua temporada anual de canecas cheias.
A festa de Blumenau, é a mais tradicional, já está acontecendo, vai até o dia 18 de outubro, com um pé aqui e outro na Alemanha.

Além das grandes cervejarias, há as da minha simpatia, 16 micro cervejarias que com enchente e tudo, mantém as máquinas a mil para que não falte a loira gelada, obsessão de cento e tantos milhões de brasileiros.
Essa paixão não é nova, nem aqui nem em lugar nenhum. Já na época dos descobrimentos, das grandes navegações que saíam em busca de novas terras, era comum os barcos levarem mais cerveja do que água potável nas provisões. Isso pelo simples motivo de que enquanto a água depois de algum tempo se estragava, a cerveja ia amadurecendo e se conservava por longos períodos.

Aqui mesmo, muito antes dos descobridores chegarem, era comum entre os nativos o consumo de uma bebida levemente alcoólica, feita da fermentação de cereais e até de frutas.

Os peruanos, bolivianos e outros povos do altiplano a fazem até hoje com a fórmula inca, a CHICHA. Não tem nem cara nem gosto de cerveja, mas é chamada de cerveja.

Na América do Norte também fabricavam algo parecido antes dos peregrinos chegarem, ou seja, acho que a loura sempre existiu.
Dizem historiadores que na ilha de Manhattan, antes dos peregrinos desembarcarem já havia uma cerveja comercial.

Também no diário de bordo do May Flowers há anotações interessantes. Diz : "Não podíamos perder tempo em mais pesquisas ou considerações; nossos víveres estavam se esgotando, especialmente nossa cerveja."

Portanto, a cerveja influenciou os índios, os nativos e os monges que a produziam com mais qualidade para as cabeças pensantes da época.
Se duvidar leia:

" Não há boa vida onde não há bebida". ( Benjamin Franklin)

" Cerveja é a prova que Deus nos ama e quer que sejamos felizes".( Benjamin Franklin)

" 24 horas no dia, 24 cervejas em uma caixa. Coincidência?" (Stephem Wright)

"Comecei a beber por causa de uma mulher...E nem tive a oportunidade de agradecê-la".( W.C.Fields)

" Um brinde a cerveja, a causa e a solução de todos os problemas da vida".( Homer Simpson)

" Um país não pode ser levado a sério se não tiver ao menos uma própria cerveja e uma companhia aérea, ajuda se tiver um bom time de futebol e algumas armas nucleares." ( Frank Zappa)
'' Me dê uma mulher que ama cerveja e eu conquistarei o mundo!" (Ferdinando Bulgarini D´Elci- pai de um mestre cervejeiro da Ambev)

sexta-feira, outubro 9

A eterna menina- filósofa


Falo de uma ficção que acaba de ter sua estátua inaugurada.
A ficção chama-se Mafalda e o endereço é no bairro de Montserrat, onde vivia o seu criador: Quino.

A figura apresenta um leve sorriso de superioridade e um espaço vazio no banco, que seus muitos fãs tem se ocupado de preencher.

A escultura da irônica menina- filósofa que analisa a conjuntura mundial, desde o seu bairro em Buenos Aires foi instalada há pouco mais de um mês, mas já virou ponto turístico .

A Mafalda tridimensional fica no bairro de Montserrat, o mesmo onde moram a menina e seus amigos, cenário de suas aventuras.
San Telmo, da feira, está logo ali, do outro lado da rua.

A inauguração contou com a presença do cartunista Joaquin Lavado, o Quino, criador da personagem.
Segundo o artista que assina a escultura, a Mafalda sentada no banco foi feita em tamanho real. A idéia é que em breve a obra seja deslocada alguns metros até ficar, definitivamente, na porta do prédio, na Rua Chile 371.

O edifício já tem até uma placa instalada pela prefeitura de Buenos Aires. O sinal indica que ali mora a menina que odeia sopa, ama os Beatles e ganhou status de cult há tempo, mesmo que suas tiras tenham só sido publicadas entre 1964 e 1973.

A localização exata da casa foi um mistério durante décadas.
Só o que se sabia é que a garota era portenha. Mas não contentes só com essa informação, um grupo de jornalistas fanáticos por Quino vasculhou sem trégua os quadrinhos onde realmente viveu a personagem.

Releram as entrevistas dadas por ele e as indicações geográficas encontradas nos desenhos, como a linha de ônibus usada ( a de número 86), as praças e os monumentos retratados nas histórias. Até mesmo a maçaneta do portão, reproduzida por ele em uma tirinha foi conferida. Chegaram assim ao endereço onde o cartunista realmente morou durante os anos 1960.

Quino, sempre reservado não teve outro jeito: acabou confirmando a pesquisa dos jornalistas.
A escultura inaugurada no bairro pode ser considerada também um presente de aniversário. Mafalda está prestes a completar 45 anos- ou 51, se você levar em conta o fato de que a menina- filósofa " já nasceu" no auge questionador de seus 6 aninhos.

quarta-feira, outubro 7

Estrada do inferno...ainda há uma esperança.


Li na Zero Hora que a Prefeitura de Santa Vitória do Palmar e o DNIT começam a tirar da prancheta hoje, dia 7 de outubro as obras para recuperação do cais da cidade. Isto é o que deveríamos ter feito: portos.
Apesar do atraso de mais ou menos 500 anos, fiquei contente.
Alguém deve ter se dado conta que a nossa tentativa de fazer e refazer a estrada do inferno em terreno arenoso ao lado da lagoa é louvável, mas foi e será uma tragédia. Uma tragédia cara, com manutenção incerta.

Não conseguimos fazer boas estradas nem na serra onde o solo é rochoso, imaginem naquela restinga entre a Lagoa e o Atlântico. Ainda mais numa estrada de baixíssimo transito, com caminhões pesados e cargas perecíveis. Não digo que não deva existir uma estrada vicinal, mas transportar por estrada cargas pesadas, havendo uma lagoa ao lado? Chega a ser hilário.

Países ricos como a Noruega e Estados Unidos nunca pensaram em fazê-lo.
Dou um exemplo: a capital do Alasca, Juneau, não tem estradas. Nenhuma estrada, nem lagoas. O único meio de chegar a ela é através da água.
Eles usam ferries e com precisão de trem europeu, nas " internal highways", que é o oceano Pacífico. Então por que " internal'? Porque é uma costa, protegida por inúmeras ilhas e os barcos da cabotagem a usam com extrema eficiência e sem problemas de mau tempo.

Dou um segundo exemplo, até porque já aprendi que tudo o que se faz nos EUA é errado ou criticado, (quase sempre por quem nunca foi até lá) e entram em pânico quando a filha de 15 anos, não quer debutar e sim ir a Disney. Posso até imaginar:Disney não!...O que vão dizer na próxima reunião do Partak?
Onde eu errei?

Portanto aqui vai o outro exemplo mais isento. Noruega, onde a grande maioria das cidades nos fiordes, não tem estradas, nem pensam em fazê-las, é só rocha e os protegidos canais ao lado.
Não é por acaso que o Alfred Nobel, o homem que o instituiu o prêmio Nobel e inventou o dinamite é norueguês. A Noruega é só rocha.

Portanto, se tivéssemos iniciado acertadamente, hoje teríamos um razoável sistema de portos de ambos os lados da lagoa para o trabalho pesado e estadinhas vicinais para a comunicação entre cidades e fazendas.
O sonho até é viável e elogiável para tráfego leve.
Nem me passou pela cabeça comentar sobre as nossas estradas a alguém como você, que lê os jornais.


NOTA

Quem escreve esse comentário é uma pessoa de razoável experiência rodoviária, que fez por 4 vezes a Belém- Brasília antes da inauguração e também a Caravana da Integração Nacional. O Ministro dos Transportes cedeu a estrada em obras para " testes" dos candangos DKW-VEMAG.

Flavio Del Mese, junto com Jorge Lettry, Leshek Billik e Juvenal Terra formaram a equipe, posteriormente condecorada pessoalmente pelo presidente Jucelino, que os chamou de pilotos de circo.

sexta-feira, outubro 2

Voltando a Paris


Um dos nossos leitores teve a gentileza de nos dizer que esperava mais do diretor do filme Paris.
Que a construção que tem os melhores vitrais, não teve o destaque que merecia.
É verdade. A Igreja de Notre Dame só apareceu um pouquinho e de costas, mas o suficiente para a gente lembrar que ela já tinha mais de 200 anos quando o Brasil foi descoberto.

Dali, cruzar a Ponte Saint Louis faz toda a diferença.
Não fosse seguir roteiros escritos com mapa, como do guia Michelin, ou dicas de quem vive em Paris, hesitaria no rumo a tomar ao sair da catedral, e perderíamos a chance de conhecer a Saint Chapelle, um bibelô tipicamente francês, construído em vitrais, e de dois andares.
Que eu saiba a única igreja de dois andares, e construída para um casamento real.
Nem pense em mudar o roteiro e cometer esse pecado turístico.

Depois de visitá-la, dê a volta até os fundos e atravesse a ponte. Na outra margem do Sena, uma nova Paris se revela. Ou melhor, uma Paris em miniatura que até parece cenário, mas é bem original.
É a Ilê Saint Louis, discreta a ponto de não ter muito espaço e nem estação de metrô.
Suas vitrines são charmosas, mas nenhuma de grife. Os bistrôs são bastante intimistas, como devem ser os bistrôs.
A seção guloseimas começa na Cacao et Chocolat. O aroma adocicado atrai qualquer um para dentro da loja, que expõe chocolates como se fossem obras de arte e não termina mais.
A charcuterie quase3 na esquina também é irresistível, e todos os produtos são nacionais, patês, presuntos, salsichas.

A ilhota segue tranquilamente seu ritmo. Dá para percorrer tudo em poucos minutos, mas duvido que você queira passar rapidamente pelo que vê.
Segundo alguns nada se compara ao sorvete do Berthilon. Criado em 1954, quando teve sua fábrica inaugurada e virou instituição. Dezenas de quiosques e bares servem as delícias, mas o bom é ir até lá.

Adoro sorvetes e até prefiro os italianos, mas em viagens não sou de ficar comparando. Desfruto com prazer o que tiver ou onde estiver. Caramelo com gengibre, chocolate com amêndoas, cappuccino, canela...
É só escolher, sentar na mureta sobre o Sena e curtir a belíssima vista das costas da Notre Dame, que o nosso leitor acertadamente queria mais.

terça-feira, setembro 29

Bélgica


É curioso. Ninguém fala na Bélgica, poucos visitam a Bélgica.

Para os franceses, os belgas são colonos e frequentemente gozados como comedores de moule e frite, (mexilhões e batata frita), mas esquecem de dizer que esta combinação esdrúxula está tomando conta da França e só em Paris, há dezenas de casas.

Como tenho lá um bom amigo, o pintor de marinas René Du Jardin, passei a ver a Bélgica com outros olhos.

A cada esquina há uma loja oferecendo os melhores chocolates. Também não é novidade que a cerveja, por lá produzida, merece ser saboreada, até mesmo por um apreciador de vinho como eu. Aliás, atenção cervejeiros: eles tem algumas com até 14°.
Nenhum país produz mais cervejas do que eles e tudo pode ser degustado em uma centena de bares ou na Gran Plaza, no centro de Bruxelas, que é espetacular.

O país é um dos menores da Europa, mas com diferenças culturais, que vão muito além da língua e da geografia.
Bruges e Ghent, rivais pelo comércio têxtil no passado, ficam na região norte conhecida por Flandres, e são consideradas as cidades mais atrativas da Bélgica.

Bicicletas e canais são comuns em ambas. Na verdade, de acordo com o dialeto da região, a palavra Flandres significa “terras alagadas”.

Ao contrário do sul, onde se fala francês, em Flandres a língua oficial é o flemish, uma variação do holandês, só para iniciados.
Mas não se preocupe, você será entendido em qualquer idioma e eles são bons nisso. É comum alguém identificar o seu sotaque, reconhecer a sua origem e sair falando no seu idioma natal.
Bruges está sempre lotada de turistas. Restaurantes, lojas de chocolates, museus de tão cheios acabam diminuindo o charme medieval da cidade.

A menos de uma hora de distancia, encontra-se a outra jóia da arquitetura flamenga, onde é mais fácil andar.
Ghent é menos pitoresca que Bruges, mas tem uma atmosfera mais autentica.
Apesar da culinária de Flandres ter sido alvo de desdém por muito tempo, (principalmente dos franceses) está havendo uma redescoberta dos seus pratos tradicionais.

Coelho com ameixas pretas, por exemplo, bife marinado na cerveja e cebolas, além de diversos tipos de ensopados com frango ou frutos do mar, o delicioso waterzooi.
Os famosos crepes e waffles são normalmente acompanhados de sorvete, frutas e chocolate.

Ninguém em sã consciência pode deixar de prová-los. O mesmo conselho vale para os chocolates.
Só em Brujes, há em torno de 50 fabricantes e o produto é um dos melhores do mundo.

Mais um lembrete: o café é excelente. Tão bom quanto o italiano e com tantas variedades quanto.